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Já me tinha dito o velho amigo careca, no início da semana, que elas já estavam de volta. Apesar de duvidar da sua capacidade para distinguir uma andorinha de uma avestruz, acreditei e fiquei alerta... A verdade é que eu ainda não tinha visto nenhuma e, para mim, ver a primeira andorinha de cada ano equivale verdadeiramente ao início de um novo ciclo, de um novo ano.
Hoje, pela primeira vez este ano, lá estava ela, uma andorinha no fio da electricidade, como acontece sempre, a dar o tiro de partida para mais quatro estações. Daqui para a frente, e durante os próximos meses, o Hemisfério Norte fica mais rico, mais alegre e com mais cor, com o nascimento de crias de todas as espécies de animais. Basta simplesmente o chilrear das aves pela manhã para nos alegrar o dia, agora que os parques infantis se enchem de crianças com o seu riso e alegria contagiantes.
As andorinhas são como os amigos, voltam sempre, mas estas voltam de uma viagem de quase 20.000 quilómetros.
Todos os anos, no fim do Verão, as andorinhas abandonam a Europa, onde nidificaram, para se dirigirem à longínqua África do Sul, numa viagem épica que fazem desde sempre.
Muitas morrem pelo caminho, não aguentam a dura jornada de dias consecutivos a voar por entre tempestades de areia, trovoadas e temperaturas extremas, atrás do calor com o qual se dão bem, mas sem ser em excesso e do alimento que encontram no ar. Pouco tempo depois, o seu relógio biológico avisa-as que está na hora de partir para Norte, para outra jornada que lhes pode ser fatal. Mas, como diz o poeta: por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera...
Agora chegaram, cada dia vão ser mais, até que a certa altura, nos finais de tarde, vão encher os céus em velocidades alucinantes para apanharem os insectos voadores, ajudando assim a manter o equilíbrio necessário na população destes e evitando em muitos casos que se tornem pragas para as culturas. Mais que alegrar os finais de tarde, trabalham para o nosso bem estar!
Voltam também para se reproduzir no mesmo sítio onde nasceram, muitas vezes no mesmo ninho. Se este estiver ocupado, ou tiver sido destruído, tratam de construir outro exactamente ao lado, numa tertúlia familiar eterna. Os ninhos são construídos com lama e palhas, em pequenas bolas ligadas umas às outras, com a consistência própria das grandes obras de engenharia.
As novas crias deste ano têm de estar preparadas para a viagem do fim do Verão. Agora, é hora de trabalhar arduamente na construção ou reconstrução dos ninhos, para que a falta de tempo não atraiçoe as mais atrasadas.
Benvindas!
fonte: WWW.BICHARADA.NET
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